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São Silvestre 100 anos: festa histórica, mas com falhas que não podem se repetir

A 100ª edição da Corrida Internacional de São Silvestre entrou para a história, mas não apenas pelo simbolismo do centenário. O número de inscritos saltou de cerca de 37.500 para 55 mil corredores, um crescimento de 46,7%. Um marco impressionante, que encheu a Avenida Paulista de emoção, mas também expôs fragilidades que transformaram o dia 31, em vários momentos, em uma sucessão de problemas.

Antes da largada, os primeiros sinais

Os problemas começaram muito antes do tiro inicial. A Expo, realizada no Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque do Ibirapuera, mostrou-se pequena para o volume de circulação. A combinação de calor, filas longas e corredores apertados dentro do espaço transformou o ambiente em um verdadeiro forno.

Para completar, no fim do último dia, faltaram camisetas para inscritos, algo difícil de entender em uma prova que se planeja para 55 mil pessoas. A organização prometeu envio posterior, mas o desgaste já estava feito.

Largada em ondas: acerto, mas com um grande “porém”

A largada em ondas ajudou a organizar o fluxo ao longo dos 15 km. Mas, com tanta gente, houve corredores largando depois das 9h30. Em pleno verão, isso se tornou desumano, sobretudo para quem corre mais atrás, estreia na prova ou tem ritmo mais tranquilo. O que deveria ser apenas desafiador virou desgaste excessivo.

Para uma prova desse porte, pensar em largadas começando mais cedo —a partir das 7h — deixa de ser detalhe e vira cuidado básico. Mas resta saber se o contrato com a TV que transmite ao vivo a corrida permitiria uma mudança de horário e se os organizadores estariam dispostos a defender os interesses dos corredores.

O grande problema: os “pipocas”

O esgotamento rápido das inscrições frustrou muita gente, mas isso não justifica burlar regras e nem se achar no direito de correr a qualquer custo com o pretexto de que a “rua é pública”. E o que aconteceu era até previsível: muitos tentaram correr “de qualquer jeito”.

  • uma quantidade enorme de gente correndo sem número (visível em fotos e vídeos onde aparecem multidões),
  • números clonados e falsificados,
  • relatos de atletas que descobriram que o kit já havia sido retirado por outra pessoa. Como assim?

Sim, é um problema cultural e difícil de eliminar totalmente. Mas, diante de uma edição histórica, talvez um planejamento mais cuidadoso minimizasse um pouco mais os riscos:

  • controles mais rígidos nos pontos de acesso à largada, com checagem mais eficiente dos números,
  • funil e triagem na área final da prova para retirada de corredores pipocas, como acontece em grandes maratonas internacionais,
  • controle maior na retirada da medalha.

A pergunta que fica: como um corredor sem número de peito ou com número falso conseguiu retirar a medalha? Em provas desse tamanho, a fraude pesa diretamente na logística e na experiência de quem pagou.

Água, calor e falhas em cascata

Com largada tardia e sol intenso, a hidratação também virou ponto crítico:

  • demora na reposição dos tonéis,
  • gelo insuficiente nos tonéis para resfriar a água,
  • staffs sem conseguir acompanhar a demanda.

Conclusão: alguns pontos de hidratação estavam sem água ou com água quente.

Medalhas… a grande frustração na linha de chegada

A falta de medalhas foi, talvez, o episódio mais doloroso. Depois de enfrentar 15 km, sair sem o símbolo da conquista gera uma frustração difícil de reparar.

Ainda circularam relatos e vídeos indicando venda de medalhas,  inclusive por pessoas uniformizadas, staffs que trabalharam na prova, e vários prints de anúncios de plataformas on-line vendendo medalhas a valores acima de 500 reais.

Nota oficial e contrapontos

No dia 02/01, a organização publicou Nota Oficial informando que:

  • medalhas e camisetas serão enviadas,
  • “pipocas” e números clonados consumiram recursos,
  • possíveis desvios por prestadores estão sendo investigados.

A apuração é necessária e bem-vinda. Mas não podemos atribuir os problemas escancarados apenas às fraudes externas. Ficam abertas questões que cabem aos organizadores:

  • controle de retirada de kits e acesso à prova,
  • fiscalização de equipes,
  • planejamento para calor e público recorde,
  • mecanismos firmes de prevenção e contingência.

Fraude é inaceitável, mas planejamento, prevenção e controle também fazem parte da organização.

Entre celebração e aprendizado

A São Silvestre celebrou 100 anos com emoção, história e ídolos, como Marilson Gomes dos Santos, Rosa Mota, Carmem de Oliveira, Maria Zeferina Baldaia, entre outros, algo que merece reconhecimento. Mas os problemas do centenário não podem ser “normalizados” e precisam virar aprendizado.

Crescer é ótimo, mas crescer com respeito ao corredor, do primeiro ao último, é essencial.

Leia a Nota Oficial da organização.

NOTA OFICIAL – SÃO SILVESTRE

A organização da Corrida Internacional de São Silvestre informa que todas as camisetas e
medalhas dos atletas participantes da centésima edição da prova que acabaram não
contemplados serão enviadas até 31 de janeiro.

Uma força-tarefa da equipe da São Silvestre entrará em contato com esse público a partir
desta próxima segunda-feira (5/1), para conferência e confirmação de dados. Os produtos
serão entregues em residência.

Em meio ao processo de verificações, todo e qualquer contato pode ser feito por meio do
número (11) 9-1345‐9749 ou pelo e-mail faleconosco@saosilvestre.com.br.


Os organizadores lamentam que a experiência de uma parcela pequena, porém
absolutamente importante, da São Silvestre não tenha sido completa. E gostaria de pedir a
esse contingente específico, de menos de 2% do total de participantes, suas mais sinceras
desculpas.

Infelizmente, e apesar de toda a preparação e operação em conjunto com forças de
segurança, a centésima edição da São Silvestre viu a repreensível ação de muitos milhares
de “pipocas”, que é como se classificam os invasores de corridas de rua.

Esse grupo fraudou números de peito, misturou-se aos atletas nos postos de hidratação e
subtraiu medalhas – mesmo diante de rigorosa conferência do estafe da prova.
Apesar da ação infame dos “pipocas”, os 15km de prova não tiveram problemas de
violência ou aglomeração.


A organização da São Silvestre já iniciou a confecção de um relatório geral, que será
tornado público em fevereiro. Com o auxílio de inteligência artificial para cruzar informações
e identificar invasores, tem sido possível comprovar atos explícitos de clonagem de
números de peito, que são o registro essencial do participante.

Além disso, a organização também apura roubo de medalhas por parte de terceirizados
contratados especificamente para o evento. Vídeos e ofertas podem ser encontrados
fartamente em sites de revenda e nas redes sociais. No caso das camisetas não entregues
durante a Expo SS, os organizadores trabalham com a hipótese de extravio e/ou desvios.
Os responsáveis identificados por tais irregularidades serão denunciados às autoridades
competentes oportunamente.


Em que pesem as adversidades, a centésima edição da Corrida Internacional de São
Silvestre se estabeleceu como um marco histórico para as provas de rua no Brasil. Com 55
mil inscritos legitimamente, bateu um recorde histórico de presentes, colocou-se entre as
dez maiores provas de rua de todo o planeta e estendeu a tradição que se perpetua desde
1925 de ser o evento mais democrático, reverenciado e único do esporte brasileiro.



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