Rio-2016 tem início na segunda-feira. Ou melhor, deveria já ter começado…

Sexta-feira estive no Ibirapuera assistindo ao Troféu Brasil de Atletismo. É impressionante como brasileiro deixa tudo para a última hora. Em todos os setores. Junte-se a isso a falta das condições perfeitas para que um atleta obtenha o índice olímpico. Antes de atirar a primeira pedra, quero deixar claro, a culpa não é só da CBAt. Divido-a com clubes, técnicos e os atletas. Ontem, dia 1º de julho, encerrou-se o prazo para a obtenção de uma vaga em Londres. Quem está classificado, tem de focar na Olimpíada. Para quem não vai, incluindo todos os envolvidos, Rio-2016 tem início nesta segunda-feira. Ou melhor, já deveria ter começado…

O Troféu Brasil foi marcado coincidindo com o prazo-limite para obtenção dos índices olímpicos. Deveria ter sido montada uma estrutura para dar as melhores condições possíveis para isso, certo? Com esse pensamento, não poderia ser em São Paulo, mas sim ao nível do mar. Só para começar. Lembre, estamos falando de centésimos de segundos em algumas provas… Qualquer benefício é bem-vindo.

Como outro exemplo, não poderíamos ter a final dos 10.000 m feminino na quarta-feira e dos 5.000 m na sexta. Só 48 horas de intervalo, não dá para ocorrer uma recuperação física e mental ideal. Por que não marcar a segunda prova para domingo? Como foi feito no masculino? Esse é o ponto que a CBAt tem de cuidar e de planejar, além de aumentar as competições em nível internacional, de trazer atletas de ponta para as provas, ou seja, criar um ambiente para a melhora de nossos competidores.

Falando dos clubes, treinadores e atletas, não podemos deixar a decisão para os 45 minutos do segundo tempo ou da prorrogação. Pode-se acertar um chute no ângulo? Claro. Possível. Mas não provável. Não há mágica no atletismo. Alguém que corre na média a 29 minutos nos 10.000 m não vai chegar num dia, acordar e cravar 27:50, por exemplo. Ocorre uma evolução gradual. Trabalho esse que demanda tempo, esforço, preparação… Volto a bater na tecla, por isso, Rio-2016 já deveria ter começado.

Competir no exterior é fundamental. Estar no meio dos melhores do mundo, em provas fortes. Buscar os índices nessas disputas, quando todo o ambiente conspira a favor. Nisso, clubes e  patrocinadores têm de investir, gastar. Garanto que será um retorno positivo. Não adianta contabilizar vitórias em provas “sem graça”. Um 10º lugar numa major como Londres, Boston ou Berlim, com um tempo de respeito em nível mundial (um índice olímpico), é muito melhor do que a vitória na Maratona de São Paulo.

Um 2h10 na maratona masculina ou 2:28 na feminina abre portas e garante convites para estar nas grandes provas, não só nas majors, mas em outras de nível técnico excelente. Vale o mesmo para as competições na pista. A chance da Cruz Nonata fazer o índice nos 5.000 m ou 10.000 m seria muito maior em um meeting internacional com quenianas, etíopes, americanas… do que no Troféu Brasil correndo sozinha e dando “capote” em todas as adversárias, como foi nos 10.000 m ou na maioria, nos 5.000 m.

Conversando com o técnico Cláudio Castilho, do Pinheiros, na sexta-feira à noite, no Ibirapuera, ele disse que após a Olimpíada de Londres e a consequente (e necessária) recuperação, Adriana Aparecida da Silva irá disputar provas no exterior, correr com as melhores do mundo, colocar a “cara para bater”. Esse é o pensamento perfeito. Que deve ser seguido. Tem um custo? Claro que sim. Mas não adianta economizar nesse ponto. Adriana competindo em Nagoya, Tóquio, Nova York, Londres, Berlim, Roterdã… só para citar alguns exemplos, ajudará consideravelmente em sua evolução.

Já perdemos tempo demais na preparação para o Rio-2016. Temos de literalmente correr um pouco atrás do prejuízo. Como cada centésimo de segundo faz diferença, cada dia de atraso complica demais. O que não pode acontecer é “dormirmos” agora e “acordarmos” em 2015, lembrando que um ano depois teremos Olimpíada!

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