Quênia e Etiópia no atletismo têm a mesma rivalidade de Brasil e Argentina no futebol. E não estou exagerando. No ano passado, foi uma goleada queniana. Supremacia total nas maratonas, com vitória e recordes em todas as Majors, recorde mundial, melhores marcas de todos os tempos em Boston…
Das 30 melhores marcas mais rápidas de 2011 (segundo a Iaaf, que não leva Boston em consideração), 29 foram de quenianos. Apenas o brasileiro Marilson Gomes dos Santos foi o intruso no ninho com os 2:06:34 em Londres. O melhor tempo etíope foi de Bekana Daba, com 2:07:04, em Houston (EUA). Agora, em 2012, tudo começou diferente.
O jovem etíope Ayele Abshero, de apenas 21 anos, estreou nos 42 km com vitória e recorde na Maratona de Dubai, na última sexta-feira (27). Campeão mundial júnior de cross-country em 2009, Abshero marcou 2:04:23, dando um grande passo para garantir uma das três vagas da Etiópia para a Olimpíada de Londres. Sem levar em consideração (novamente) o tempo de Moses Mosop em Boston (2:03:06), é a estreia mais rápida da história numa maratona.

Detalhe importantíssimo: esse tempo de Ayele seria um dos três mais rápidos de 2011, atrás apenas do recorde mundial de Patrick Makau (2:03:38 em Berlim) e do “voo” de Wilson Kipsang (2:03:42 em Frankfurt).
Para completar, o pódio foi todo etíope em Dubai, com ótimos tempos: Dino Sefir em segundo (2:04:50) e Markos Geneti o terceiro (2:04:54), ambos recordes pessoais. A dupla estaria no top 6 de 2011 da maratona. Seriam três etíopes e três quenianos entre os seis primeiros. Equilíbrio total.
O recorde anterior em Dubai era do também etíope Haile Gebrsellassie, com 2:04:53. Agora, inclusive, Haile correrá pressionado a Maratona de Tóquio, em 26 de fevereiro. Para sonhar com Londres-2012, terá de correr muito rápido. Para carimbar o passaporte, sem dúvida alguma, terá de voltar ao 2h03. Impossível? Claro que não. Haile merece respeito. Agora, sinceramente, diria improvável. Mas maratona é maratona e Haile é Haile…
Uma certeza é que os etíopes mandaram um aviso aos rivais quenianos: “Estamos de volta”.