Ontem era um dia para dar tudo errado. Ao menos, era o que indicava. A princípio estava tudo bem: tinha comido, tomei maltodextrina como sempre, separei a garrafa com água gelada e terminei os preparativos para ir treinar. Moro em Jundiaí, que fica a 30 minutos de Sampa, e tenho o privilégio de poder fazer meus treinos de qualidade (leia-se tiros, fartlek e ritmo) em uma pista de atletismo pública. Fica perto de casa, uns 10 minutos no máximo.
Já dentro do carro, no meio do caminho, percebi que tinha esquecido a garrafa de água dentro da geladeira. Tudo bem, poderia comprar uma garrafa de água no Centro Esportivo. Estacionei, peguei a sacola com minha carteira, documento do carro, camiseta para trocar depois do treino e… cadê o relógio? Deixei em casa também. Bom, no porta-luva tinha deixado um outro cronómetro mas sabia que a bateria estava nas últimas, pois ele tinha esse indicador no display. Fui caminhando até a pista onde me encontrei com colegas-corredores que já tinham terminado seus respectivos treinos. Bati um papo com a galera e quase todos foram embora, exceto por um deles que me acompanhou no trote de aquecimento. Só que antes de começar o trote, dei uma olhada no relógio e… nem a hora mostrava, ou seja, sem bateria nenhuma. No fim do trote meu colega se despediu e fiquei lá pensando no que fazer
O treino do dia era 4 tiros de 800 metros para 3:12 com 2 minutos de descanso. O que iria fazer? Não tinha como checar o tempo, nem sequer o intervalo de descanso. Sou um corredor do tipo intermediário, nem muito rápido, nem muito lento. Então decidi fazer os tiros na experiência mesmo, no que chamamos de percepção de esforço. Fui para o primeiro, com o cuidado de não ir rápido demais – muito comum em treinos desse tipo – e foi legal. O fato de não poder checar as parciais dos 200 metros, 400 metros foi esquisito, mas tudo bem. No intervalo, esperei o batimento baixar, relaxei e fui para o segundo. E assim e diante. Só fiz questão de fazer o último mais rápido, sei que pode ter sido relativo, mas senti que me esforcei mais nele do que nos anteriores.
A sensação ao final do treino foi boa mesmo. Uma experiência, de certa forma, libertadora sem a “ditatura” dos minutos e segundos. É lógico que não se deve fazer isso sempre pois é necessário saber como anda a evolução dos treinos mas foi, no mínimo, interessante. Ah! A água? Nem lembrei… Só bebi quando cheguei em casa.
Sergio Rocha
ps: Entre nós aqui da CR, correr sem o relógio não é novidade já que o editor, Tomaz Lourenço, escreveu um artigo sobre esse assunto (Clique aqui para ler)