De vez em quando, gosto de colocar um tema em discussão aqui no blog para conversarmos, discutirmos e também para ouvir a opinião de corredores de vários cantos no país. Uma coisa que tem me chamado muito a atenção é a completa falta de bom senso no meio das corridas. Está certo que, nesse caso, é um reflexo de nossa sociedade. Não há como separar uma questão da outra, infelizmente.
Critico demais as empresas organizadoras de provas, sem exceção, pela falta de largadas separadas por ritmos aqui no Brasil. É algo tão raro quanto um queniano perder uma maratona! Ou melhor, até mais difícil de acontecer. Acho, inclusive, que para resolver esse problema a CBAt deveria criar uma regra (só com imposições, de cima para baixo, que as coisas funcionam, uma pena): todas as corridas, sem importar a distância, com mais de 3 mil inscritos, deveriam ter a separação por ritmo nas largadas.
Agora, sinceramente, um pouco de bom senso não faz mal a ninguém. Nós, corredores, temos de fazer nossa parte. Nas provas mais lotadas, como São Silvestre, Meia do Rio e Volta da Pampulha, por exemplo, essa falta de bom senso é clara. E, consequentemente, de desrespeito com quem está ao seu lado.
Não é questão de se achar melhor ou mais rápido, longe disso, mas se a pessoa quer correr a 6:00 por km, por que sair na “fila do gargarejo”? Vai travar quem está vindo atrás, num ritmo mais rápido. Se largar mais atrás, fará os mesmos 6:00 por km, mas não irá bloquear ninguém.
Em algumas corridas, na hora de se inscrever, você pode colocar o ritmo que pretende correr, como a Meia de São Paulo. Na hora da largada, não há qualquer controle (um erro, a meu ver), então, nada funciona. Mesmo assim, muitos escrevem na inscrição ritmos incompatíveis com seu rendimento ou treinamento. Roubam de si mesmos!
Há provas no exterior nas quais, se você der esse jeitinho brasileiro largando onde não deve, ou sai dando tiros de 100 m ou levará empurrões e cotoveladas de todos os lados. Na Maratona de Paris, confidencia um amigo corredor, é assim. O Sérgio Rocha já viu isso ocorrer em prova da Corpore também: o corredor saiu na baia errada, foi trombada e cotoveladas para todos os lados! Será que aprendeu?
Junte-se a isso os fantasiados, com faixas, que ficam lado a lado e querem praticamente largar na elite. Na Volta da Pampulha, por volta do km 3, um rapaz parou (isso mesmo, parou) no meio da corrida, com gente de todos os lados, para dar tchau para os bombeiros, quase causou um acidente daqueles! Cadê o bom senso?
Resumindo, a corrida é mais do que democrática, defendo e aplaudo isso, junta o rico, o pobre, o experiente, o iniciante, que corre a 4:00 ou 6:30 por km, mas vamos respeitar uns aos outros. Se você quer fazer festa ou corre num ritmo mais lento, por favor, fique mais atrás. Garanto que irá correr melhor e com menos riscos. Bom senso é muito importante na vida (e nas corridas). Não adianta criticar se você não faz a sua parte. Não é?