
A 100ª Corrida Internacional de São Silvestre confirmou mais uma vez a força africana nas ruas de São Paulo. Nesta quarta-feira (31/12), a tanzaniana Sisilia Ginoka Panga e o etíope Muse Gizachew foram os campeões dos 15 km, encerrando o calendário do atletismo de 2025 com atuações marcantes.

Sisilia dominou a prova feminina desde os primeiros quilômetros, abriu vantagem ainda na fase intermediária e venceu com tranquilidade, fechando em 51:08. Foi a primeira vitória da Tanzânia na história da São Silvestre. Aos 29 anos, ela fez valer sua força, mostrando grande resistência, especialmente na subida da Brigadeiro Luiz Antônio, fruto de sua vivência em provas de cross country (foi duas vezes top 8 em Mundiais de Cross Country).
A queniana Cynthia Chemweno terminou em segundo lugar, com 52:31. A baiana Núbia de Oliveira confirmou a boa fase e repetiu o resultado do ano passado, cruzando a linha de chegada mais uma vez como a melhor brasileira e na terceira colocação, com 52:42.

“Graças a Deus consegui melhorar a minha marca. O primeiro lugar não saiu esse ano, mas eu acredito e tenho muita fé em Deus que isso vai acontecer. A prova de hoje me deu ainda mais confiança, mais vontade de voltar para casa e dar continuidade ao meu trabalho”, disse Núbia, que tem apenas 23 anos e nasceu em Campo Formoso, Jaguarari, e é treinada por Antonio Ferreira, o professor Ferreirinha.
Núbia terminou a temporada de 2025 com vários resultados expressivos. Ela bateu seu recorde pessoal nos 10 km em Tóquio, na Tokyo Speed Race, com o tempo de 32:37, foi campeã sul-americana nos 10000m e de meia maratona no Sul-americano de Corrida de Rua, campeã do Troféu Brasil de Atletismo nos 5000m e 10000m, além de campeã das 10 milhas Garoto, encerrando um jejum de vitória brasileira que já durava 18 anos.

Entre os homens, a decisão foi bem diferente. O queniano Jonathan Kipkoech Kamosong liderou boa parte do percurso, mas viu o jovem etíope Muse Gizachew, de apenas 19 anos, arrancar nos metros finais e garantir o título com 44:28, que teve que se contentar com a segunda posição, com 44:32.

Fábio Jesus Correia fechou a prova na terceira posição, com 45:06, e se sagrando novamente como melhor brasileiro na prova. Em 2022, o atleta foi a quarto colocado e também melhor brasileiro.
“É muito treino e dedicação pra gente chegar aqui e brigar com esses africanos. A gente treina demais, se dedica demais. Eu treinei na rua, não fiz altitude e só tenho que agradecer ao meu treinador que sempre acreditou no meu trabalho e toda a minha equipe que está comigo”, disse Fábio agradecendo aos patrocinadores e a “todo o meu povo baiano aí, meu povo nordestino, povo do Brasil que torce pelo Guerreiro do Sertão”, disse o atleta, que nasceu em Monte Santo, Bahia, e tem 26 anos.
Fábio, que treina com Elvis Conceição de Santana, mudou para São Paulo ainda adolescente e trabalhou como coletor de lixo, conciliando a função com os treinos do atletismo por um bom tempo.
A celebração dos 100 anos da prova, que teve recorde de cerca de 52 mil concluintes, trouxe à capital paulista vários nomes que foram destaque da prova, como José João da Silva (bicampeão da prova, em 1980 e 1985), Carmem de Oliveira (primeira mulher brasileira campeã, em 1995), Marilson Gomes dos Santos (tricampeão, em 2003, 2005 e 2010), Emerson Iberbem (campeão em 1997), que correu a prova ao lado do filho, Maria Zeferina Baldaia (campeã em 2001) e Lucélia Peres (útlima campeã brasileira no feminino, em 2006).

Além dos brasileiros, o evento ainda contou com a presença da portuguesa Rosa Mota, maior campeã da São Silvestre, com seis vitórias, todas elas à noite (de 1981 a 1986), trouxe um clima especial para a 100ª edição. Emocionada na Avenida Paulista antes da largada, ela comentou que sentiu falta do clima noturno e ressaltou a
. Rosa veio ao Brasil a convite da produtora responsável pelo documentário sobre Maria Zeferina Baldaia, campeã em 2001, que sempre citou a portuguesa como sua grande inspiração para começar a correr. O filme foi exibido na Expo, reforçando a conexão entre gerações da prova.
Resultados – Top 6
Feminino
1. Sisilia Ginoka Panga (Etiópia) – 51:08
2. Cynthia Chemweno (Quênia) – 52:31
3. Núbia de Oliveira Silva (Brasil – 52:42
4) Gladys Tejeda Pucuhoaranga (Peru) – 53:50
5) Vivian Jeftanui Kiplagati (Quênia) – 54:12
6) Viola Jelagat Kosgei (Quênia) – 54:43
Masculino
1) Muse Gizachew (Etiópia) – 44:28
2) Jonathan Kipkoech Kamosong (Quênia) – 44:32
3) Fábio Jesus Correia (Brasil) – 45:06
4) William Kibor (Quênia) – 45:28
5) Reuben Longonsiwa Poguisho (Quênia) – 45:46
6) Wilson Maina (Quênia) – 45:52



