No começo, confesso, não tinha o mínimo prazer. Porém, atualmente, adoro fazer treinos de variação de ritmo. Sejam os intervalados ou os fartleks. Muitas vezes, termino exausto, mas os benefícios valem à pena. São exercícios fundamentais para se correr com força e velocidade. No último domingo (29), na abertura da Copa Paulista de Montanhas, em Mairiporã, tive a certeza do que me atrai, além do contato direto com a natureza, nesse tipo de corridas: a variação dos ritmos.
Claro que é totalmente diferente a velocidade de um treinamento em pista de atletismo do que na montanha. Porém, nessas provas “off road”, é assim que funciona. Não há aquele pé embaixo característico do asfalto. Seja nos 10 km (principalmente), nos 21,1 km ou na maratona, corro contra o relógio, para bater meus tempos pessoais ou treinar um ritmo determinado. Na montanha, claro que busco concluir o percurso no menor tempo possível. Sou competitivo por natureza, porém, a corrida é encarada de outra forma.
Em Mairiporã, por exemplo, em uma subidona no meio do mato, em trilha, fui ultrapassado por um corredor trotando. Eu caminhava. Mantive meu ritmo constante e, alguns metros à frente, voltei a passá-lo e, na descida seguinte, abri vantagem para não ser mais alcançado. Então, muitas vezes, esse respiro na subida com uma caminhada rápida é essencial para você correr com o pé embaixo quando passa a ser possível. No plano, nas descidas, numa elevação não tão complicada…
Claro que como sou competitivo, não gostei de ter perdido o pódio da faixa etária os 35-39 anos por 35 segundos. Ainda mais porque levei um tombaço faltando uns dois quilômetros para o final da prova, quando meu pé enroscou num cipó, que foi decisivo para a minha quarta posição. Voei e dei com o joelho em um tronco caído. Só a dor e o susto. Uma pancada. Isso acontece, toda cautela é necessária. Era descida, em trilha, com água escorrendo. Entretanto, durante os 13,7 km das prova morro acima, morro abaixo, sabe quantas vezes olhei para o relógio? Nenhuma. Não aliviei em qualquer momento, corri forte sempre que possível. Terminei muito satisfeito.
A experiência foi muito proveitosa em Mairiporã. Teve neblina, mato alto, paralelepípedo, subidas íngremes, descidas complicadas…. os competidores foram exigidos ao máximo. Cada um dentro de seu limite. Junte-se a isso vistas de perder o fôlego e locais que, sem a participação da corrida, eu nunca chegaria perto. Sem falar a camaradagem entre os participantes e o contato direto com a organização.
Tenho certeza que fazendo de vez em quando provas de montanha e, também, treinando aqui na região de Jundiaí, chegarei com a musculatura muito mais forte para a Maratona de Boston, em abril. Ou seja, o benefício para o asfalto será grande. Serão mais, mas neste ano, já tenho mais quatro provas de montanha confirmadas: segunda (São Sebastião) e terceira etapas (Paranapiacaba) do Paulista, K21 Arraial do Cabo (RJ) e K42 Bombinhas (SC).