Recomendações aos corredores neste período de coronavírus

Nosso articulista de longa data Fernando Beltrami, fisiologista que mora na Suíça, onde faz pós doutorado, apresenta recomendações importantes aos corredores, que não querem parar de treinar neste momento tão difícil que passa o mundo.

IMPORTANTE: As recomendações abaixo foram feitas com base nas orientações de órgãos de saúde da Europa e no bom-senso, tentando sempre errar pelo excesso de cuidado.

Corrida em grupos: A maioria dos países está restringindo o agrupamento de pessoas para, no máximo, 5-10 indivíduos. Somente por aí fica evidente que a corrida em grupo deve ser evitada. Considerando que o vírus é transmitido pelas gotículas expelidas durante a tosse/espirros/respiração (aparentemente não pelo suor), e que com a corrida a ventilação aumenta significativamente, é ainda menos recomendado correr em grupos, ou mesmo com um parceiro. Treine sozinho nas próximas semanas, aproveite para ouvir seu próprio organismo. Uma exceção aqui são as pessoas do seu convívio próximo… se você divide a casa e a cama com alguém, não é a corrida que fará diferença na transmissão da doença.

Sintomas: Se você apresentar qualquer sintoma de gripe ou resfriado, não saia para correr, em grupo ou sozinho, na academia ou na rua. Fique em casa, ligue para seu médico ou posto de saúde e discuta a necessidade de isolamento ou mais testes.

Treino na esteira: Pelo menos na Europa, essa questão se resolveu de forma rápida: na segunda-feira as academias estavam criando um espaço de 2 m entre cada equipamento. Na sexta-feira, foram fechadas pelo governo até o final de maio. É bem possível que no Brasil medidas semelhantes já tenham sido/estejam sendo tomadas. De qualquer forma, fica aqui a recomendação: evite correr em esteiras, a menos que seja a de sua casa, de uso particular. Primeiro porque lugares fechados, em tese, facilitam a contaminação, pela circulação de ar diminuída do ambiente. Segundo porque as superfícies correm risco de contaminação, e ainda não se sabe ao certo por quanto tempo o vírus sobrevive nelas.

Corrida e imunidade: Durante muito tempo se acreditou que o exercício físico acarretasse numa queda aguda da imunidade. Uma visão mais recente diz justamente o contrário, que a queda em alguns marcadores do sistema imunológico seria um sinal de que estas células estão sendo mobilizadas, e por isso não são “vistas” no sangue. De qualquer forma, parece um tanto inconsequente deixar justamente para este período os treinos mais pesados. Como a maior parte do calendário de provas está cancelado, qual seria a necessidade de treinar forte? Utilize o bom senso, e transforme os meses de abril e maio em um ciclo de manutenção de desempenho, não de ganho.

Higiene no treino e depois: Se você por algum motivo não lavava as roupas de treino após cada uso (!), essa é a hora de começar. Cuspir diretamente no chão também deveria ser evitado, pois é justamente ali que você pode vir a infectar outras pessoas. Sim, você. Lembre-se que muitas pessoas irão contrair o vírus sem mostrar qualquer sintoma, tornando-se agentes involuntários da pandemia. Evite também contato físico com os parceiros de treino (mas esperamos já tê-lo convencido a treinar sozinho). Por último, não leve as mãos ao rosto durante o treino (é difícil, mas importante), e lave as mãos adequadamente (nunca houve tantos vídeos ensinando a lavar as mãos na história) imediatamente após o treino; de preferência antes também, caso você venha a colocar a mão no rosto…

Provas: Nas próximas semanas (ou meses?), se sua prova não foi cancelada, não vá. Não há motivos para tal. Não há percurso de 5, 10 ou 100 km que valha se expor ao risco. Com certeza é possível esperar um pouco mais, e chegar ainda melhor treinado. Da mesma forma, não é uma boa ideia aproveitar o período e fazer um evento “não oficial”, a menos que você vá correr sozinho. Mas aí, convenhamos, correr uma maratona com trânsito aberto, sozinho, sem público, sem suporte, só por teimosia… é um pouco demais.

Por último, as medidas que o Brasil está adotando com um pouco de sorte estão sendo tomadas antes do que fizeram os europeus, em termos de casos já detectados. Se o número de casos não explodir nas próximas semanas, não diga que foi tudo pânico desnecessário. E agradeça!

Crédito da foto: Jack Moreh

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