Comecei a me apaixonar pelos 42 km há cinco anos. Em uma quente Maratona de São Paulo, em 2010. Com largada às 9h15! Nesse período, foram 15 provas no asfalto e quatro em trilha/montanha. Assim, a 20ª foi escolhida com carinho: Berlim. Mas veio uma lesão (a primeira que me fez ficar no “estaleiro”) e algumas reflexões antes de ter a certeza que estarei na linha de largada na Alemanha daqui a menos de cinco meses.
Até o momento, corri em São Paulo, Curitiba, Porto Alegre (2), Disney (2), Boston (4), Nova York, Barcelona, Punta del Este e Buenos Aires (2) pelas ruas, além de K42 Ubatuba, Mountain Do (Ushuaia e Deserto do Atacama) e K42 Villa La Angostura.
O estiramento no posterior da coxa esquerda (perna essa que há tempos vinha com uma dor chata, que não atrapalhava nada, mas vira e mexe me acompanhava) deu o ar da graça no último treino, no penúltimo intervalado, a 30 m da chegada de um estímulo de 400 m. Eram 12 repetições. Estava na 11ª. Parei. O peso na cabeça foi grande. Difícil até andar naquele momento. Dirigir até em casa já foi complicado.
No dia seguinte, quarta-feira, a viagem para Boston. Não tinha o que fazer. Cuidar por uma semana, descansar, não correr e ver o que iria “sobrar” para a prova. Frio e chuva no dia. Mais do que perfeito para os 42 km. Larguei e com 300 m começou a doer, muito. Desistir ou seguir? Não é questão de superação nem nada. Apenas uma decisão pessoal. Que envolveu inúmeros fatores, inclusive o tempo que teria de esperar para aguardar o transporte. Decidi, conscientemente, fazer a prova. Não me arrependo. Após exatos 30 dias, hoje, tomaria a mesma decisão. Mesmo sabendo só agravou o problema.
Nunca tinha passado por isso. Ficar impossibilitado de correr. Já são 30 dias sem calçar um tênis para trotar ou até caminhar. A lesão nos faz pensar. Refletir. Analisar. Não sobre o passado. Nada podemos fazer para mudá-lo. Mas o presente e, principalmente, o futuro, sim.
O primeiro ponto, não fazer nada mais forte a 10 dias da maratona.
A segunda, pensar mais em opções “extras”, como bike e piscina (que já estou fazendo três vezes por semana, devido ao tratamento).
A terceira, já com mais de 40 anos, reduzir o número de maratonas e aumentar o intervalo entre elas (o total de provas, já tinha “cortado” neste ano pois, o que me dá prazer, mais do que tudo, é treinar para os 42 km). Um momento único, nosso, de reflexão. Gosto de dizer que é a minha terapia.
O quarto, não relaxar mais com o aquecimento. Nos últimos tempos, justamente, por falta de tempo devido aos afazeres da vida, acabei negligenciando para cumprir o treino proposto para o dia. Agora, farei o contrário. Corto o total de repetições ou a quilometragem final, não mais o aquecimento.
Por quinto e último ponto (ainda precisando da anuência do treinador Marcelo Camargo), fazer os intervalados (curtos e longos), o ritmo e os longos. O restante, na piscina e na bike!
Agora, hora de lutar contra os prognósticos, apostar na boa recuperação do meu corpo (nos anos em que joguei futebol, nunca me afastei dos gramados por lesão!) e seguir com o tratamento (na sexta, conto como está sendo a rotina para voltar às ruas). A esperança é chegar às 20 maratonas na rápida Berlim.