Revista Contra-Relógio
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Coração de corredor é mais eficiente (e diferente)

Edição 192 - SETEMBRO 2009 - LUIZ CARLOS DE MORAES


O exercício seja ele qual for, entre tantos benefícios, visa fortalecer os músculos e o mesmo acontece com o coração que passa a bombear maior volume de sangue por minuto em razão do aumento das câmaras cardíacas e fortalecimento do músculo cardíaco. Dependendo do tipo de exercício, aeróbio, anaeróbio e misto, o coração passa a bombear diferentes volumes de sangue, que se reflete na FC.
Já em 1971, fisiologistas franceses classificavam três tipos de corações treinados: aeróbio com cavidades maiores, anaeróbio com as paredes musculares mais grossas e o misto, com as paredes mais fortes e câmaras maiores. O coração do sedentário ejeta em media de 650 a 700 ml. Dos ciclistas de estrada, maratonistas, nadadores de longas distâncias e triatletas, mais de 900 ml. Corredores de 100, 200, 400m e fisiculturistas de 700 a 800 ml. Nos meio fundistas e os que fazem treinamentos mistos o coração pode ejetar de 800 a 900 ml em cada contração ventricular. Dá para entender que o coração do maratonista empurrando, por assim dizer, quase um litro de sangue numa única contração, não precisa bater tantas vezes por minuto.
Por conta dos sinais clínicos idênticos ao coração doente, tais como bradicardia, distúrbios de ritmo, ruídos sistólicos e zonas silenciosas, as alterações fisiológicas de quem pratica atividade física foram durante muito tempo confundidas com doenças cardíacas que emitem os mesmos sinais.
O "coração de atleta" foi o termo encontrado para diferenciar o coração doente do sadio, descoberto por Henschen em 1899, ao comprovar que o coração do atleta é maior, bate menos vezes por minuto principalmente em repouso, tem câmaras cardíacas maiores e mais eficientes. Já o coração doente bate menos vezes por minuto por não ter força suficiente ou por deficiência na estrutura que gera os batimentos cardíacos, chamada de nó sinusal.
As modificações estruturais do coração de quem corre longas distâncias e/ou faz musculação podem promover, ao longo dos anos, aumento de até 85% da massa muscular do ventrículo esquerdo. Embora seja uma modificação funcional bem documentada, não se sabe ainda qual seria o limite da normalidade e a partir de quando esse benefício passaria a representar um risco para a saúde do atleta.


Avaliação periódica é fundamental
Por isso, como já comentamos em edições anteriores, é importante anualmente todo e qualquer corredor fazer sua avaliação cardiológica com seu médico de confiança. Isso possibilita:
1) Identificar se está havendo modificações estruturais cardíacas dentro da normalidade.
2) Diagnosticar possíveis doenças preexistentes que possam levar o atleta a um mal súbito. Algumas delas são silenciosas, induzindo o indivíduo que corre há muitos anos a pensar que com ele nada vai acontecer justamente porque faz exercício. Embora o maratonista estatisticamente adoeça muito menos, não está livre de uma surpresa desagradável.
3) Uma vez detectada uma doença preexistente, as possibilidades de tratamento são maiores, bastando muitas vezes apenas redirecionar o treinamento, evitando intensidade muito alta, como os intervalados e as competições ou ainda, como vimos acima, fazer exercícios leves que gerem duplo produto mais baixo.
Trabalhos bem documentados mostram que, entre as alterações cardiológicas benignas, a hipertrofia ventricular esquerda e a bradicardia sinusal são as mais comuns em corredores fundistas. Freqüência cardíaca de repouso menor que 50 por minuto é bastante comum, independente da idade.
Os corredores de elite são casos à parte. Por executarem treinamentos de elevado rendimento onde a alta intensidade é uma constante, por um lado possuem os maiores índices de modificações estruturais benignas, mas estão muito próximos também do perigo do excesso, não se sabendo ainda ao certo qual é o limite de cada um. Embora raro (mas acontece...), um mal súbito ocorrido num atleta de elite não pode significar que todo corredor tenha o mesmo risco. Como citamos, já foi o tempo em que essas modificações estruturais eram confundidas com doenças cardíacas, entre elas a doença de chagas, que deixa o coração grande também.
Hoje, com a evolução dos métodos de exames, tais como eletrocardiograma, ecocardiograma, teste ergométrico, taxas sanguíneas e hormonais, os cardiologistas têm meios de avaliar e diferençar alterações decorrentes de treinamento físico das patologias preexistentes ou alterações benignas que possam se transformar em malignas por conta dos excessos ao longo dos anos. O que mata não é o exercício e sim a prática inadequada e sem orientação profissional. Como vimos, são muitas as formas de controlar os exercícios na medida certa: freqüência cardíaca, pressão arterial, duplo produto, escala de Borg e bom senso.

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8 Respostas para “Por que os quenianos ganham todas?”

  1. Acredito que há um equívoco na informação de que Marílson, com o 21º tempo, têm o melhor tempo não queniano. O correto não seria o melhor tempo não africano? Estão esquecendo os outro países como a Etiópia e Eritréia por exemplo.

  2. Lógico que não existe razões específicas para o dominio queniano e etíope na corridas de longa distâcia seria o mesmo que estudarem os jogadores de futebol brasileiro e argentinos querendo encontrar razões do por que de tanta habilidade nos dribles como é o caso do Pelé,Ronaldo fenômeno, Ronaldinho gaucho,Neymar, Messi,Maradona atc…
    Isso com certeza está na genética de cada povo e acredito eu que nenhum estudo será capaz de desvendar tal mistério.

  3. sou corredor desde os 15 anos e meu melhor tempo nos 10km é de 33:13 e a três anos sou coletor de lixo e se quanto mas quilômetros corressemos mais melhorariamos eu seria um grande corredor! Corro de 25 a 30 quilômetros por dia no serviço e ainda pedalo 8 indo e vindo! Treino todos os dias após tudo isso! Será q quanto mais distância melhor correria?

  4. Frediano… mas vc é um grande corredor com esse tempo… parabéns!

  5. é pelo ue eu entendi altitude não quer dize nada , na minha opinião eu não precise sair do brasil eu era o rei do morro na minha epoca ninguem subia que nem eu eu trenei com uma equipe boa uma vez um perueiro me puchou já estava chegando na ultima subi cheguei a imprimir um ritmo á 30 por hora nos trabalhos que a gente fazia nun circuito de morro eu saia la tras e ia bucar todos unclusive os melhores da equipe nivel internacional como explica isso já veterano consegui baixar u percurso de morro em 8 minutos

  6. Interessante o “mundo branco” fazer tanto barulho assim! Os caras são tops pois treinam muito e melhor do que outros, assim como acontece em qualquer esporte. Olhem o futebol, o Brasil é (era) a potência neste quesito, aí os europeus começaram a aprender e colocar profissionalismo nisso tudo, e hoje o futebol Europeu é tão bonito quanto ao nosso! Os Quenianos treinam muito, com qualidade e foco e por isso são tops. Quando começarmos a fazer o mesmo, sem reclamar das condições, teremos as mesmas chances. Mas é claro, canela fina ajuda e muito!!!!!!!

  7. Você está generalizando tudo para queniano, prezado Beltrami. Você deveria se referia a africanos, onde a maioria dos quenianos ganha quase tudo. Mas os etíopes, marroquinos e outros, estão ganhando também.
    Afinal, quem ganhou a maratona de Londres, jogos olímpicos de 2012. Foi um marroquino, não?

  8. que nada a maioria foram pegos em dopping tem que pegar estes quenianos e tirarem do nosso pais e o aldo rebelo dando esmola para os atletas uma vergonha não existe incentivo no atletismo aqui no brasil.

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