Revista Contra-Relógio
// Contra-Corrente //

Meias e maratonas muito próximas. Tudo bem? Tudo bem!

Edição 198 - MARÇO 2010 - TOMAZ LOURENÇO


Nos meses de abril e maio próximos, muitos corredores enfrentarão o dilema de participar ou não de meias e maratonas com datas bem próximas, ou seja, apenas uma semana geralmente. A dúvida é fruto de algumas "correntes de pensamento", que defendem várias semanas de intervalo entre provas longas, para que o organismo se recupere adequadamente. Nesse sentido, a restrição maior costuma ser nas datas entre maratonas, enquanto uma meia seguida de maratona não é algo que sofra grandes restrições.


Aliás, essa questão de proximidade parece que está caindo de vez por terra, por pressão dos corredores, e os treinadores (para os que tem) acabam tendo que concordar, apenas fazendo alguns alertas e recomendações. Esse fato fica flagrante quando se lembra que no último Desafio do Pateta, em que se corre a meia da Disney no sábado e a maratona no domingo, nada menos que 164 brasileiros (dos 724 que lá estiveram...) fizeram a dobradinha, conforme se viu na CR de fevereiro.
A revista sempre defendeu que não somente não havia problema de se correr uma maratona, após uma meia no intervalo de uma semana, como era até indicado, sendo este editor um viciado nessa sequência, tendo já corrido dessa forma por diversas vezes, com bons resultados. Igualmente comentávamos que a participação em duas maratonas seguidas, ou seja, com intervalo de uma semana, não era algo tão incrível assim, passível de trazer lesões ou de deixar o corredor esgotado pelas próximas semanas.

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Paris e Londres em seguida


Nesse sentido, em 2000 resolvi fazer um "teste": correr a maratona de Paris num domingo e a de Londres no outro. Queria saber e sentir se essa sequência era viável, para então passar para os leitores. Previamente decidi que correria a primeira para valer, descansaria na semana (fiz apenas um trote de 40 minutos na quarta-feira) e entraria na prova londrina sem preocupação com o relógio, apenas para conhecê-la. E assim aconteceu. Fiz Paris para 3h28, chegando cansado, mas não "acabado"; depois em Londres corri sem qualquer preocupação com o tempo, a ponto de nem me lembrar em quanto concluí, mas acredito que tenha sido em pouco abaixo de 4 horas, em parte também por ter corrido com fome (ver boxe).
O importante é que corri fácil, confirmando a suposição de que duas maratonas em seguida é uma opção interessante, desde que não se tenha a ilusão de ir bem nas duas. O que explica a viabilidade dessa alternativa é que ao se terminar uma maratona, mesmo que cansado, não se perde obviamente o condicionamento conseguido depois de alguns meses de treinamento, bastando descansar entre as duas provas. Aliás, essa situação aconteceu também em 2008, mas em distâncias diferentes. Fiz a Comrades de 87 km (em subida) na África do Sul, voltei na segunda-feira e no domingo estava largando na meia da Maratona do Rio, para "relaxar". Só que ainda estava tão treinado que acabei voando na prova, mesmo porque eram "apenas" 21 km...
Agora, voltando ao tema desta matéria, vamos aos dilemas ou dobradinhas de abril e maio, que como se verá não são tão complicados assim e para muita gente são situações até favoráveis.



1ª prova INTERVALO 2ª prova
11 de abril 7 DIAS 18 de abril
Meia de Brasília Maratona de Floripa
Meia da Corpore
Este primeiro dilema está na categoria dos mais fáceis, uma vez que é absolutamente coerente correr uma maratona depois de uma meia, servindo esta como um excelente último treino e mesmo teste, para se projetar o tempo que se poderá conseguir nos 42 km, apesar de que nunca se deve esquecer que, especialmente em uma maratona, alguns fatores podem ajudar ou prejudicar no dia, notadamente o clima e o abastecimento. Como recomendação geral, mesmo que se faça a meia sem forçar demais, o ideal é reservar a semana apenas para trotes de no máximo 1 hora, em 2 a 4 dias, com absoluto descanso no sábado.


18 de abril 14 DIAS 2 de maio
Maratona de Floripa Maratona de SP
Apesar do intervalo ser de duas semanas, trata-se de maratonas e portanto o desgaste sempre acontece. Como sugestão, pode-se escolher a primeira como último longão antes de SP, realizando treinos leves durante as duas semanas, com um 15 a 21 km mais forte no dia 23 de abril. A outra opção é entrar em Floripa para alcançar bom resultado, aproveitando seu percurso plano (e contando com um abastecimento correto, o que não ocorreu em 2009) e depois ir para São Paulo apenas para ver no que vai dar, sem compromisso. E se a opção em São Paulo for correr a prova de 25 km, então a compatibilidade entre os dois eventos fica facilitada.


24 de abril 7 DIAS 2 de maio
Volta à Ilha Maratona de SP

Neste caso, o fator mais importante é saber como a pessoa vai participar da Volta à Ilha, m Florianópolis. Se entrar em uma equipe de 8 corredores, seu desgaste será pequeno e portanto representará apenas um último treino para a maratona paulistana. Essa situação é ainda mais favorável no caso de correr por uma equipe na categoria "participação", constituída por 8 a 12 integrantes. Já para quem vai encarar os 150 km em dupla, o panorama muda completamente, pois dificilmente esses participantes saem "inteiros" da prova. Em compensação, com absoluta certeza estarão mais do que preparados para enfrentar os 42 km no dia 2 de maio, desde que, naturalmente, descansem adequadamente na semana.


2 de maio 7 DIAS 9 de maio
Maratona SP Super de N. Friburgo

Aqui também é fundamental atentar para uma semana de folga, com apenas alguns trotes, de maneira a se descansar a musculatura para os 50 km por estrada, com muitas e longas subidas e descidas, entre Teresópolis e Nova Friburgo. Como na situação Floripa - SP, o corredor pode optar em fazer São Paulo numa boa, como treino para Friburgo, ou entrar firme na primeira e depois ver no que vai dar na segunda, mas com alguma certeza, pois ninguém perde o condicionamento em uma semana, mesmo que tendo saído cansado, como destacamos nesta matéria. E se a opção for correr apenas 21 km em Friburgo, então fica tudo mais fácil ainda.


2 de maio 21 DIAS 23 de maio
Maratona SP Maratona de P. Alegre

Esta situação não chega a ser um grande dilema, mas a colocamos aqui porque muitos vão fazer essa sequência. Correr duas maratonas com um intervalo de 21 dias é algo sem qualquer dificuldade, como vão constatar o que optarem por SP e Porto Alegre. E mesmo aquela observação de que não dá para encarar duas maratonas próximas da mesma forma, ou seja, conseguir bom resultado em ambas, fica um pouco suavizada neste caso. Enfim são três semanas de intervalo, sendo possível até um treino mais forte (em torno de 20 km) no domingo anterior à maratona gaúcha, para ganhar confiança em uma grande marca lá, facilitada pelo percurso plano e temperatura agradável.


16 de maio 7 DIAS 23 de maio
Meia das Cataratas Maratona de P. Alegre

Por último, um outro "não dilema", na medida em que a sequência meia e maratona é sempre muito interessante. Aqui também muitos deverão ser os seguidores, aproveitando a bela Meia das Cataratas, em Foz do Iguaçu, como último treino/teste, para depois "voar" na capital gaúcha. De comum entre essas duas provas, a excelente organização, mas em termos de percurso situações bem distintas, já que a primeira é toda por estrada, com longas subidas e descidas até a chegada nas cataratas, enquanto a segunda acontece por ruas e avenidas da capital gaúcha, com percurso quase todo plano.



No percurso, 2 bolachas de chocolate
A Maratona de Londres, que fiz apenas aquela vez, entrou para minha história de corredor nem tanto pela sequência pós Paris, mas sim pela minha confusa ida para a prova. Para resumir, perdi a hora no dia, me arrumei apressado e acabei entrando no ônibus dos estrangeiros que estavam no hotel, sem tomar café da manhã. Na sacola que levei para a largada, encontrei uma banana e já fui comendo na viagem até a saída. Imaginava que chegando lá haveria algo para comer, mas só ofereciam café, água e chá.
Como não ia fazer a prova para valer, não me preocupei muito, também acreditando em um bom abastecimento no percurso. Mas só encontrava água e isotônico nos postos. Aí, lá pelo km 30, quando a fome já estava incomodando, vi uma criança na calçada com duas bolachas de chocolate na mão e me pareceu que ela estava oferecendo aos corredores. Até hoje não sei se a oferta existia ou não, só lembro que na hora não tive dúvida que era para mim que ela estava guardando as bolachas... Na chegada devorei dois sanduíches oferecidos pela organização e levei mais dois para comer até o hotel: o melhor lanche pós corrida da minha vida.



8 Respostas para “Por que os quenianos ganham todas?”

  1. Acredito que há um equívoco na informação de que Marílson, com o 21º tempo, têm o melhor tempo não queniano. O correto não seria o melhor tempo não africano? Estão esquecendo os outro países como a Etiópia e Eritréia por exemplo.

  2. Lógico que não existe razões específicas para o dominio queniano e etíope na corridas de longa distâcia seria o mesmo que estudarem os jogadores de futebol brasileiro e argentinos querendo encontrar razões do por que de tanta habilidade nos dribles como é o caso do Pelé,Ronaldo fenômeno, Ronaldinho gaucho,Neymar, Messi,Maradona atc…
    Isso com certeza está na genética de cada povo e acredito eu que nenhum estudo será capaz de desvendar tal mistério.

  3. sou corredor desde os 15 anos e meu melhor tempo nos 10km é de 33:13 e a três anos sou coletor de lixo e se quanto mas quilômetros corressemos mais melhorariamos eu seria um grande corredor! Corro de 25 a 30 quilômetros por dia no serviço e ainda pedalo 8 indo e vindo! Treino todos os dias após tudo isso! Será q quanto mais distância melhor correria?

  4. Frediano… mas vc é um grande corredor com esse tempo… parabéns!

  5. é pelo ue eu entendi altitude não quer dize nada , na minha opinião eu não precise sair do brasil eu era o rei do morro na minha epoca ninguem subia que nem eu eu trenei com uma equipe boa uma vez um perueiro me puchou já estava chegando na ultima subi cheguei a imprimir um ritmo á 30 por hora nos trabalhos que a gente fazia nun circuito de morro eu saia la tras e ia bucar todos unclusive os melhores da equipe nivel internacional como explica isso já veterano consegui baixar u percurso de morro em 8 minutos

  6. Interessante o “mundo branco” fazer tanto barulho assim! Os caras são tops pois treinam muito e melhor do que outros, assim como acontece em qualquer esporte. Olhem o futebol, o Brasil é (era) a potência neste quesito, aí os europeus começaram a aprender e colocar profissionalismo nisso tudo, e hoje o futebol Europeu é tão bonito quanto ao nosso! Os Quenianos treinam muito, com qualidade e foco e por isso são tops. Quando começarmos a fazer o mesmo, sem reclamar das condições, teremos as mesmas chances. Mas é claro, canela fina ajuda e muito!!!!!!!

  7. Você está generalizando tudo para queniano, prezado Beltrami. Você deveria se referia a africanos, onde a maioria dos quenianos ganha quase tudo. Mas os etíopes, marroquinos e outros, estão ganhando também.
    Afinal, quem ganhou a maratona de Londres, jogos olímpicos de 2012. Foi um marroquino, não?

  8. que nada a maioria foram pegos em dopping tem que pegar estes quenianos e tirarem do nosso pais e o aldo rebelo dando esmola para os atletas uma vergonha não existe incentivo no atletismo aqui no brasil.

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